Alfarrábio

Aqui é o lugar onde histórias e textos antigos podem ser compartilhados! Qual seu autor preferido? Peça que eu coloco um trecho do trabalho dele aqui.

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O Lampião (trecho)
(Agatha Christie)

“Naquela noite teve um sonho esquisito.
Sonhou que estava andando por uma cidade, que dava impressão de ser uma metrópole. Era, porém, uma cidade infantil: não havia pessoas adultas, apenas crianças, verdadeiras multidões de crianças. No sonho todas corriam para ele, gritando: “Ele também veio?” Pelo visto, compreendeu o que queriam dizer e sacudiu tristemente a cabeça. Aí então as crianças deram-lhe as costas e começaram a chorar, soluçando amargamente.
A cidade e as crianças sumiram com o sonho, mas quando despertou, os soluços ainda ressoavam-lhe nos ouvidos. Apesar de completamente acordado, ouvia tudo com a maior nitidez. Lembrou-se, então, de que Geoffrey dormia no andar de baixo, ao passo que aquele som de dor infantil vinha do de cima. Sentou na cama e riscou um fósforo. No mesmo instante os soluços cessaram.”

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Eldorado
(Edgar Allan Poe)

Gentil, faceiro,
um cavaleiro,
sob sol e sombreado,
seguiu avante,cantarolante,
em busca do Eldorado.
Mas o andarilhoficou tão velho,
no âmago assombrado,
por não achar
nenhum lugar
assim como Eldorado.
E, enfim diante
de sombra errante,
parou, quando esgotado
e arguiu-lhe “onde,
sombra, se esconde
a terra de Eldorado?”
“Sobre as montanhas
da lua e entranhas
do Vale Mal-Assombrado,
vá com coragem,
“disse a miragem,
“se procuras o Eldorado”.
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Ismália
(Alphonsus de Guimarães)

Quando Ismália enlouqueceu
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu;
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

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O Jaguadarte

(Lewis Carroll)

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!”

Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

“Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu.

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

(Tradução do “Jabberwocky” por Augusto de Campos)